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sexta-feira, 2 de junho de 2017

Buckminster Fuller e Edgar Morin: 30 anos

Olá a todos,
A sustentabilidade possui um tool-kit de ferramaentas e elaborações teóricas. Na sala de aula, falamos do uso da geometria para representar de variáveis de um problema complexo (e que precisa necessariamente ser visto de diversos angulos), como a crise hídrica.
Neste sentido, envio a vocês no link abaixo o livro "Manual de Instruçõs para a Nave Espacial Terra" de Buckminster Fuller, filósofo e arquiteto norte-americano, que inicia, em 1969, essa jornada de estudos, que hoje compõem a nova ciência da sustentabilidade e da complexidade.

Envio também o livro "Cabeça Feita" do filósofo francês Edgar Morin, de 1999, que trata das transdisciplinalidade dos sistemas complexos auto-organizados e socio-biológicos. 30 anos separam estes dois livros seminais, e sua aventura pelo conhecimento humano no planeta terra.
Abraços,
Osmar

quinta-feira, 1 de junho de 2017

O Futuro do Acordo de Paris

Um banho de água fria, ou melhor, um balde de gelo, é como poderíamos descrever a notícia que estarreceu o mundo na manhã do dia 1º de junho de 2017: o presidente Trump retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris. A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), após 22 Conferências das Partes, vinha demonstrando uma enorme resiliência. Desde o seu início com a COP de Berlim, em 1995, a Convenção do Clima acumulou uma capacidade de aprendizado que ia superando os reveses e baixas do caminho: uma COP que começou e não terminou, em Haia, no ano 2000, erros, acertos, a criação de mecanismos financeiros de redução de emissões como o MDL e o REDD+, e as dificuldades de se fazer um acordo sobre um tema tentacular, envolvendo uma miríade de interesses industriais, de difícil equacionamento nas leis do direito internacional, e que opôs, durante grande parte do tempo, países desenvolvidos, responsáveis pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa (GEE), e países em desenvolvimento.

A esperança do Acordo de Paris era abrir a possibilidade de uma cooperação global, com papéis diferenciados, mas envolvendo todos os países. O desenho possível desse acordo foi construído pelos governos, pelas empresas e pela sociedade civil, com as experiências acumuladas e decantadas de 20 anos de reuniões, debates e construção de tratados climáticos. Um novo desafio está colocado: uma vez que o acordo está ratificado por 195 países, como executá-lo sem a presença dos EUA, o principal emissor de GEE do planeta? O arsenal da diplomacia climática volta-se para a China, agora o principal parceiro do Acordo de Paris, com a segunda maior emissão de GEE do planeta.

Desde ontem, um crescente número de CEOs das maiores empresas norte-americanas têm declarado abertamente suas críticas à decisão de Donald Trump e até deixado cargos em seu conselho de governo. É possível dizer que, hoje, uma guerra industrial de longo prazo foi declarada. De um lado, uma antiga estrutura industrial, dependente de hidrocarbonetos e carvão, e que gera poucos empregos; do outro lado, uma indústria de energias alternativas (eólica, solar) e de geração de produtos e serviços com ciclo de vida positivo em termos de uso de recursos naturais, que vem gerando novos empregos. Essa nascente indústria verde tem como aliada a indústria computacional, que poderá ajudar os esforços científicos de transformação da economia e da sociedade nas próximas décadas.

O ato do presidente Trump abre um espaço definitivo para a capilarização do debate climático no seio da sociedade norte-americana. No plano internacional, os estrategistas de Trump deveriam entender que, com sua saída do Acordo de Paris, a Europa estará sendo atraída para o campo de influência chinês. A China vem tecendo há anos uma linha de comércio bilateral com a União Europeia (UE), que ficou conhecida como a "Nova Rota da Seda". Se esta for uma rota sustentável e climaticamente correta, deixará isolado o antigo parceiro da UE, os Estados Unidos da América.

Mercado Financeiro e os Commons