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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Os Ecossistemas são Devastados, mas o Clima é o Culpado?

Para aqueles que negam as mudanças climáticas impulsionadas pelas emissões humanas de carbono e para aqueles que acreditam que as atividades humanas são o principal agente da disrupção climática, há um ponto de consenso: o clima está mudando e produzindo efeitos catastróficos em todo o mundo. A posição do primeiro grupo, frequentemente chamado de "Climate Deniers" é argumentar que essas mudanças fazem parte de ciclos naturais que eventualmente se autorregularão, tornando desnecessárias alterações nos atuais padrões de uso de energia e gestão de ecossistemas. 

Esses cientistas frequentemente enfatizam o papel da variabilidade natural, como a atividade solar e os ciclos oceânicos, na condução das mudanças climáticas, minimizando a influência de fatores antropogênicos. Do outro lado, os proponentes das mudanças climáticas antropogênicas, apoiados por uma vasta rede de cientistas alinhados ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), defendem ações imediatas para alterar os perfis de emissão de carbono e os processos emissores. No entanto, os fatos relativos ao impacto da variabilidade climática—seja natural ou induzida pelo homem—revelam um aumento nos eventos climáticos extremos e nos custos de reconstrução. 

Minha experiência e os dados hidroclimatológicos históricos das bacias do Rio Pardo, na fronteira entre Minas Gerais e Bahia, e do Rio Corrente, na Bahia, demonstram que, quando os ecossistemas estão significativamente alterados, mesmo pequenas variações climáticas podem ter impactos profundos sobre as populações que habitam esses ecossistemas. Essas pequenas variações podem ser predominantemente naturais (80/20 em relação às emissões humanas de carbono), como argumentam os "Climate Deniers", ou predominantemente antropogênicas (20/80), como afirmam o IPCC e seus cientistas.

O fato é que os impactos de pequenas variações climáticas em ecossistemas altamente modificados estão aumentando globalmente, destacando a necessidade de um consenso sobre a mudança dos padrões de uso do solo e a conservação e preservação dos ecossistemas da Terra. Se, em 2050, a temperatura média da Terra retornar ao patamar de 1 grau Celsius, como sugere um pequeno grupo de cientistas climáticos, essa estabilização encontrará ecossistemas irremediavelmente alterados, anulando os benefícios da estabilização climática.

O ritmo acelerado da mudança no uso do solo e seu impacto sobre as populações e seus territórios representam um consenso pouco explorado que poderia unir cientistas climáticos e ambientais de todas as correntes para colaborar na elaboração de estratégias para a recuperação ecológica do planeta. Enquanto o debate sobre os principais agentes das mudanças climáticas continua, a realidade inegável é que a degradação dos ecossistemas amplifica os impactos das variações climáticas, independentemente de sua origem.



segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

A Complexidade e o Flamengo: as lições e os erros de Paulo Souza

Paulo Souza, técnico português de futebol, é discípulo do filósofo português Manuel Sergio, criador da Teoria da motricidade humana, Em sua passagem pelo Clube de Regatas do Flamengo, um importante e tradicional clube brasileiro, ele aplica um método complexo, que acaba por aumentar a complexidade deste time de futebol, o que o faz perder o comando do time levando-o à demissão. 

Ela começa a treinar o clube brasileiro em fevereiro de 2022 mas em junho do mesmo ano é demitido. Foram 32 jogos, com 19 vitórias, sete empates e seis derrotas. Paulo Souza neste período usa muito termos como "utilizar a  complexidade" e "entender a complexidade". 

Souza cometeu um erro comum entre aqueles que buscam enfrentar problemas complexos, como o do Flamengo, o time de maior torcida do mundo, com uma parca colheita de títulos. Este erro consiste em confundir teoria, método, análise, sintese, e gestão de sistemas complexos marcados por retroalimentação, auto-organização, emergência de novos padrões, falta de regularidade, e presença de eventos não lineares.

Paulo Souza complicou o que já era complexo. O Flamengo é a complexidade criadora constante de novos padrões emergentes. Podemos apenas ver a superfície dela: o time de maior torcida do mundo com um relativo baixo número de títulos, capaz de lotações históricas no Maracanâ, e passível de perder jogos para clubes de muito menor expressão. O técnico do Flamengo não pode ser um gestor de sistemas mas um gestor de afetos. 

O papel de Paulo Souza era ser um leito para o rio da complexidade flamenguista. Ele tinha que ser o construtor de simplicidades provisórias, capaz de diminuir a complexidades, o caos e as crises do clube sem desestimular os afetos e as paxões que movem o Flamengo. Sua tarefa era faciliatar a emergência de novos padrões a partir da complexidade do time, a qual ele deveria se esforçar para compreender, e que vai além das medidas do campo de futebol.

O que ele, e muito outros técnicos não compreenderam, é que um time de futebol é um organismo, um sistema auto-eco-organizador como define Edgar Morin, pai da teoria da Complexidade, e que se auto-comanda. Cabe ao técnico catalizar este organismo para o aumento da potência do agir coeltivo respeitando os afetos e potências individuais.

Entender a complexidade não é falar sobre ela, mas criar ações a partir dela. Falar da complexidade como observador participante aumenta a complexidade ao invès de diminuí-la. Entender essa complexidade de forma estática e individualistica impede o fluir da inteligência coletiva através dela. 

Podemos dizer que Paulo Souza aplicou de modo descuidado a teoria da complexidade aprendida com o filósofo portugûes Manuel Sergio, criador da Teoria da Motricidade Humana. Muito o criticaram pela aplicação da complexidade ao time de regatas Flamengo mas poucos entenderam aonde estavam seus errose aplicação equivocada de algumas das renovadoras idéias da área dos sistemas sociais complexos.

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