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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Uma Yoga ou 2 Prestígios?

Naquela segunda-feira de outono do ano de 2023, no hemisfério sul, eu queria fazer uma sessão rápida de yoga, coisa de 20 a 30 minutos. Saí do meu apartamento e caminhei até o parque Olhos D'água. Depois da yoga, já bem relaxado, fui ao supermercado comprar o que precisava para o almoço. Eu carregava uma mochila cilíndrica com meu tapete de yoga.

Na fila, atrás de mim, havia uma moça bem apressada com dois Prestígios na mão. O Prestígio é um antigo e famoso chocolate brasileiro feito com massa de coco da Bahia, ralado e revestido de chocolate. Eu mesmo era fã do Prestígio até conhecer outros chocolates de outras nacionalidades — mesmo que o cacau continue sendo, na maioria das vezes, brasileiro ou africano.

Chega a minha vez de pagar, e a moça dos Prestígios batia os pés e pedia passagem. Eu, muito relaxado, observava a cena com interesse. A dose de endorfina que o chocolate daria à moça seria maior ou igual à endorfina pacífica que eu ali já saboreava — uma espécie de nirvana de fila de supermercado.

Nunca se saberá a resposta. Eu apenas desejo à moça todo o prestígio do mundo, e que suas filas sejam curtas, desde que eu possa desfrutar de vez em quando da minha yoga. Imagino que ela vá saborear os chocolates recheados caminhando pelo belo parque onde eu estava se recheando de vento, verde e luz.

Se assim for, a moça teria me dado a definitiva lição do que é um common, um céu de pipiripau: um território onde é possível desfrutar das existências de modo assíncrono e diverso.

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