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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A mudança climática brilha no Times Square

Indo direto ao assunto, duas perguntas conectadas: Como diminuiremos o uso de recursos naturais, quando 2/3 da população mundial começam a consumir produtos e serviços, que nunca consumiram, como celulares e computadores? E se isso for possível como criar fluxos materiais circulares, e qual o papel deles na distribuição do excedente econômico?

Tim Jackson, professor da disciplina de Sustentabilidade da London School of Economics, acredita que não é possível lutar contra o consumismo no curto e médio prazo. Esta é uma cultura que perpassa a vida das pessoas em todos os seus aspectos, em especial os afetivos. É da esfera do estado propor formas de diminuição do uso de recursos naturais. Jackson propôs em seu livro "Prosperity without Growth" um descrescimento do PIB baseado numa criativa macroeconomia ecológica, que lida com três variáveis cruciais para a geração de riqueza e desenvolvimento: divisão do excedente econômico, número de horas trabalhadas por cada trabalhador, e renda mínima. 

Antes de continuar, uma explicação: para manter o nível de aquecimento médio global em 2 graus célsius, segundo o IPCC, será preciso diminuir 80% das emissões globais até 2050. Como fazer isso? Que abordagem de resolução de problemas adotar para chegar perto desse número hipnótico?

Jackson propõe uma economia dual: de um lado às atividades , que fazem crescer o PIB, e de outro uma economia de serviços com atividades que não aumentam o PIB, mas promovem as condições do desenvolvimento: saúde, educação e trocas culturais. Neste modelo de macroeconomia ecológica, as horas do setor de alta produtividade seriam divididas entre a população economicamente ativa, o restante das horas seriam direcionadas á economia dos serviços, que Jackson chama de a “Economia da Cinderela”. Ao mesmo tempo o governo asseguraria a cada família uma renda básica para cobrir as despesas essenciais (saúde, educação, casa, alimentação).

Como diriam os céticos, falta só combinar com os Japoneses.  Mas o que é interessante, é que a meta hipnótica veio para ficar no espaço de nossas prioridades sociais. E eis que (re)surge o movimento Maker, e uma luz se acende: e se, o setor produtivo de alta produtividade fosse paulatinamente substituído pela economia do Craddle to Craddle (do berço ao berço) onde os produtos seriam não só reciclados, mas reusados e recriados em comunidades de cultura maker (ver o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=-uIXJclJE2Y). Isso parece um anglicismo para a economia solidária sulamericana, mas a novidade é a presença desse tipo de solidariedade em setores tecnológicos.

A meta hipnótica brilha em um enorme letreiro no Times square. O estado e a iniciativa privada têm pela frente a enorme a tarefa de recriar os produtos e serviços com os quais nos relacionamos, ou recriar a forma como nos relacionamos com produtos e serviços.

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