Indo direto ao assunto,
duas perguntas conectadas: Como diminuiremos o uso de recursos
naturais, quando 2/3 da população mundial começam a consumir produtos e serviços,
que nunca consumiram, como celulares e computadores? E se isso for possível como criar fluxos materiais circulares, e qual o papel deles na distribuição do excedente econômico?
Tim Jackson, professor
da disciplina de Sustentabilidade da London School of Economics, acredita que não
é possível lutar contra o consumismo no curto e médio prazo. Esta é uma cultura
que perpassa a vida das pessoas em todos os seus aspectos, em especial os
afetivos. É da esfera do estado propor formas de diminuição do uso de recursos
naturais. Jackson propôs em seu livro "Prosperity
without Growth" um descrescimento do PIB baseado numa criativa macroeconomia
ecológica, que lida com três variáveis cruciais para a geração de riqueza e desenvolvimento:
divisão do excedente econômico, número de horas trabalhadas por cada trabalhador,
e renda mínima.
Antes de continuar, uma explicação: para manter o nível de aquecimento médio global em 2 graus célsius, segundo o IPCC, será preciso diminuir 80% das emissões globais até 2050. Como fazer isso? Que abordagem de resolução de problemas adotar para chegar perto desse número hipnótico?
Antes de continuar, uma explicação: para manter o nível de aquecimento médio global em 2 graus célsius, segundo o IPCC, será preciso diminuir 80% das emissões globais até 2050. Como fazer isso? Que abordagem de resolução de problemas adotar para chegar perto desse número hipnótico?
Jackson propõe uma
economia dual: de um lado às atividades , que
fazem crescer o PIB, e de outro uma economia de serviços com
atividades que não aumentam o PIB, mas promovem as condições do
desenvolvimento: saúde, educação e trocas culturais. Neste modelo de
macroeconomia ecológica, as horas do setor de alta produtividade seriam divididas entre a população economicamente ativa, o restante das horas seriam direcionadas á economia dos serviços, que Jackson chama de a “Economia da Cinderela”. Ao mesmo tempo o governo
asseguraria a cada família uma renda básica para cobrir as despesas essenciais (saúde,
educação, casa, alimentação).
Como diriam os céticos,
falta só combinar com os Japoneses. Mas o
que é interessante, é que a meta hipnótica veio para ficar no espaço de nossas
prioridades sociais. E eis que (re)surge o movimento Maker, e uma luz se acende: e se, o setor produtivo de alta produtividade fosse paulatinamente substituído pela economia
do Craddle to Craddle (do berço ao berço) onde os produtos seriam não só
reciclados, mas reusados e recriados em comunidades de cultura maker (ver o
vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=-uIXJclJE2Y).
Isso parece um anglicismo para a economia solidária sulamericana, mas a novidade é a presença
desse tipo de solidariedade em setores tecnológicos.
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