Céu de Pipiripau é um território mítológico com recursos naturais e humanos, materiais e imateriais, disponíveis a todos. Céu de Pipiripau é um território virtual para pensar e refletir sobre os recursos comuns da humanidade. Pipiripau Sky is a mythological territory with natural and human resources, material and immaterial, available to all. Pipiripau Sky is a virtual territory to think and reflect on the commons and humanity.
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sábado, 23 de dezembro de 2017
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
A Internet dos Sonhos
Em 2087, cidades abarrotadas concentram grande parte da população mundial. Nas cidades, encontram-se os recursos materiais e metafísicos para a sobrevivência humana. As zonas de extração de insumos são vedadas aos humanos. A falta crônica de empregos, percebida desde o final do século passado, deu lugar a uma cultura maker, formal e informal, apoiada pelos processos de usinagem doméstica 3D, de acordo com os downloads dos produtos desejados.
A manufatura local 3D, em cada casa ou prédio de apartamentos, democratizou a produção e a poluição. Todos têm seu canal de televisão nas redes sociais e disputam a audiência de toda a humanidade para seus produtos e serviços. O dinheiro é virtual desde a década de 30 e controlado por poucos bancos mundiais. Um toque na tela revela os hábitos de compra e venda de cada pessoa, família, bairro, cidade ou país.
Elementos nanométricos inseridos em produtos como roupas ajudam a monitorar os movimentos dos habitantes. Um enorme mercado negro, comandado por hackers, é utilizado por aqueles que não têm emprego formal e vivem na informalidade (a maioria). Neste contexto, de controle e cuidado com o bem-estar dos habitantes, numa mistura de democracia fraca e economia do astronauta, cada governo traça cenários de ocupação do território, provisão de recursos, extração e deslocamento de efluentes e resíduos perigosos.
Com a degradação ambiental, é imperioso controlar todos os principais recursos da espaçonave Terra: alimento, água e energia. Assim como os astronautas da Apollo 11, que há mais de um século tinham suas vidas completamente sob controle, estes são anos em que a inteligência artificial decide com rapidez as atividades humanas mais corriqueiras e mais complexas, escondendo sob o manto da velocidade os vieses das decisões. Quanto às atividades psicológicas e sociais, algoritmos identificadores de padrões mapeiam o comportamento de cada habitante para prover o melhor em serviços a cada tipo.
Eleições são decididas automaticamente, de acordo com a preferência dos habitantes nas diferentes escalas institucionais. Tipos desviantes não podem ser eleitos, apenas aqueles que se encaixam nos padrões estabelecidos de boa cidadania, com base no big data referente a todo tipo de delito infracional, alteração social, revolução cultural e opiniões emitidas que tenham ocorrido na história pessoal da pessoa. Algo que a China havia implementado no início do século com seus cidadãos é elevado à categoria de Grande Irmão. Quando a taxa de indivíduos desviantes aumenta, algoritmos de internação são ativados para impedir a proliferação de sociopatas, como serial killers, políticos muito corruptos, curandeiros e charlatões. Vivemos a era da hiper-razão e do fetiche do conhecimento, onde cultos religiosos são vistos como práticas nocivas e toleradas, mas que identificam aqueles que não se adaptam à boa governança social.
Neste ambiente, indivíduos oriundos de povos tradicionais que perderam suas terras e territórios promovem rituais que fazem as pessoas sonharem vidas diferentes daquela ofertada pelo sistema econômico compartilhado e global. Estas pessoas estão por todo o planeta e compõem comunidades de "sonhadores". Suas reuniões são combatidas, denunciadas, e seus organizadores são colocados em quarentena, tratados como doentes psiquiátricos e isolados do convívio nas redes sociais. Este é o ponto nevrálgico da vigilância constante: o sistema operacional e seus supercomputadores quânticos em rede mundial não têm capacidade computacional para impedir, prever ou hackear os sonhos dos habitantes do mundo.
Informações críticas podem surgir nos sonhos e desmontar partes do sistema material estabelecido. Estas informações são interpretadas por indivíduos chamados de "neuro-xamãs". Estes xamãs são disputados pelos governos e pelas comunidades de dreamers. Falsos xamãs servem como informantes da polícia política internacional. Uma guerra acontece agora nos interstícios do sistema de bem-estar social e controle da ordem pública.
Apesar das enormes mudanças materiais e tecnológicas, para a humanidade o futuro ainda pertence aos sonhadores.
sexta-feira, 1 de dezembro de 2017
Alhos com bugalhos, ou bugalhos com alhos: o salário mínimo no Brasil.
domingo, 26 de novembro de 2017
Economia da felicidade e as Ideologias da (nova) guerra fria.
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Buckminster Fuller e Edgar Morin: 30 anos
Envio também o livro "Cabeça Feita" do filósofo francês Edgar Morin, de 1999, que trata das transdisciplinalidade dos sistemas complexos auto-organizados e socio-biológicos. 30 anos separam estes dois livros seminais, e sua aventura pelo conhecimento humano no planeta terra.
quinta-feira, 1 de junho de 2017
O Futuro do Acordo de Paris
Um banho de água fria, ou melhor, um balde de gelo, é como poderíamos descrever a notícia que estarreceu o mundo na manhã do dia 1º de junho de 2017: o presidente Trump retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris. A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), após 22 Conferências das Partes, vinha demonstrando uma enorme resiliência. Desde o seu início com a COP de Berlim, em 1995, a Convenção do Clima acumulou uma capacidade de aprendizado que ia superando os reveses e baixas do caminho: uma COP que começou e não terminou, em Haia, no ano 2000, erros, acertos, a criação de mecanismos financeiros de redução de emissões como o MDL e o REDD+, e as dificuldades de se fazer um acordo sobre um tema tentacular, envolvendo uma miríade de interesses industriais, de difícil equacionamento nas leis do direito internacional, e que opôs, durante grande parte do tempo, países desenvolvidos, responsáveis pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa (GEE), e países em desenvolvimento.
A esperança do Acordo de Paris era abrir a possibilidade de uma cooperação global, com papéis diferenciados, mas envolvendo todos os países. O desenho possível desse acordo foi construído pelos governos, pelas empresas e pela sociedade civil, com as experiências acumuladas e decantadas de 20 anos de reuniões, debates e construção de tratados climáticos. Um novo desafio está colocado: uma vez que o acordo está ratificado por 195 países, como executá-lo sem a presença dos EUA, o principal emissor de GEE do planeta? O arsenal da diplomacia climática volta-se para a China, agora o principal parceiro do Acordo de Paris, com a segunda maior emissão de GEE do planeta.
Desde ontem, um crescente número de CEOs das maiores empresas norte-americanas têm declarado abertamente suas críticas à decisão de Donald Trump e até deixado cargos em seu conselho de governo. É possível dizer que, hoje, uma guerra industrial de longo prazo foi declarada. De um lado, uma antiga estrutura industrial, dependente de hidrocarbonetos e carvão, e que gera poucos empregos; do outro lado, uma indústria de energias alternativas (eólica, solar) e de geração de produtos e serviços com ciclo de vida positivo em termos de uso de recursos naturais, que vem gerando novos empregos. Essa nascente indústria verde tem como aliada a indústria computacional, que poderá ajudar os esforços científicos de transformação da economia e da sociedade nas próximas décadas.
O ato do presidente Trump abre um espaço definitivo para a capilarização do debate climático no seio da sociedade norte-americana. No plano internacional, os estrategistas de Trump deveriam entender que, com sua saída do Acordo de Paris, a Europa estará sendo atraída para o campo de influência chinês. A China vem tecendo há anos uma linha de comércio bilateral com a União Europeia (UE), que ficou conhecida como a "Nova Rota da Seda". Se esta for uma rota sustentável e climaticamente correta, deixará isolado o antigo parceiro da UE, os Estados Unidos da América.
sábado, 15 de abril de 2017
A cidade é feita de olhares
Historicamente uma cidade nasce quando o clã compreende que o homem livre, o forasteiro, pode trazer a desgraça mas também novos graus de liberdade. A diferença entre desgraça e liberdade está na observação, e depois na mútua comunicação e compartilhamento de antigos e novos recursos. Não seria preciso fazer uma digressão aos estudos da psicologia e da pediatria para mostrar a importância do olhar para os seres humanos. Nossa percepção vai sendo moldada desde os primeiro anos por diversas qualidades dos olhares, ou ausência deles. Assim, vou direito ao ponto utilizando o aporte da ciência da Midia Ecology:
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Vou ficar aqui sentado, ouvindo Bill Evans e Chet Baker, enquanto as notícias sobre erros da IA se multiplicam em diversos lugares do mundo,...
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Em 2087, cidades abarrotadas concentram grande parte da população mundial. Nas cidades, encontram-se os recursos materiais e metafísicos pa...
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A cena é do ex-presidente Barack Obama sendo entrevistado. Obama governou os Estados Unidos da América por durante 8 anos, e se destacou co...