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quinta-feira, 5 de junho de 2025

Colonização de Resultados

Aprende-se na escola que o Novo Mundo foi colonizado por hordas de europeus, fossem eles bárbaros ou, por outra, conquistadores destinados a catequizar os nativos da América.

Qualquer que tenha sido o início deste processo, ele se dividiria em: colonização de exploração (Brasil, Jamaica, Haiti, Bolívia, etc.) e colonização de povoamento (EUA, Canadá).

A primeira modalidade teve como objetivo principal a extração de riquezas naturais para serem trocadas por ouro e prata, a fim de satisfazer o metalismo do mercantilismo. O segundo tipo, por sua vez, tinha como meta assentar colônias de europeus para estabelecerem uma nova Europa no vasto continente americano (Norte, Centro e Sul).

Contudo, falta um terceiro apoio nesse banquinho de madeira da história, sem o qual ele não para em pé. Havia, e continua havendo, uma terceira modalidade: a colonização de resultados, que não visa estabelecer novos assentamentos humanos, mas sim criar mercados consumidores internos e externos, e obter mão de obra para a máquina econômica colonial.

Pavan Sudek, o grande economista indiano, diria que estes três modelos estão presentes em todos os lugares do Novo Mundo em maiores ou menores proporções.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Do eterno retorno ao eterno reencontro: Nietzsche e a volta à Spinosa

Segue enigmático o conceito do "Eterno Retorno" em Nietzsche, abrindo margem a diversas interpretações, da filosofia à psicanálise, passando pela linguística e pela semiótica. A "vida boa", no sentido spinozano, seria aquela à qual retornaríamos eternamente se pudéssemos.

Seria a prova dos nove de escolhas acertadas; sob um ponto de vista termodinâmico e filosófico, seriam escolhas existenciais que aumentam a potência de agir. Externamente, nos corpos humanos, essa potência se expressa como alegria ou, em seu duplo, a tristeza — esta última surgindo de escolhas erradas ou desencontradas com o padrão emergente dos afetos ativos do ser, segundo Spinoza.

O eterno retorno é a prova dos nove de Nietzsche para aferir a qualidade da vida, assim como o aumento da potência de agir o é para Spinoza. Desse paralelismo, depreende-se que o "eternamente" pode ser entendido como algo profunda e imanentemente enraizado no aqui e agora. Seria a reverberação de um budismo tardio ou o encontro de realidades essenciais aos seres humanos em suas rápidas passagens pelo planeta Terra?

A entropia da tristeza e do desatino pode ser substituída pela neguentropia da alegria e pelo amor fati — o amor ao próprio destino —, que reside na natureza e em sua rede de relações corpóreas e extracorpóreas.

Se, no capitalismo, o tempo é tão linear quanto as formas de exploração da natureza e as promessas de acumulação de riqueza que seduzem corações e mentes, é possível dizer que, sob uma observação menos limitada, o tempo da natureza revela-se circular. Contudo, em Spinoza, como a Res extensa e a Res cogitans têm a mesma origem na natureza, o tempo curador para o nosso planeta tão machucado seria aquele em que unimos o tempo linear com o circular formado um tempo helicoidal.

Nele, seriam possíveis os eternos reencontros do ser com sua máxima potência de ação e sua alegria. Estes reencontros são, literalmente, aproximações com a eternidade do destino de cada ser: seu lugar no universo. A métrica da vida boa não deveria ser apenas responder à pergunta de Nietzsche, mas sim sentir: "você viveria este mesmo momento eternamente?". Se a resposta for sim e a afirmação emergir com alegria, este é o momento do eterno reencontro, no qual se sente novamente o aumento da potência de agir através de afetos ativos que so dependem do ser. Essas ações potentes definem, eternamente, o ser e criam um tempo sustentável para o planeta Terra.

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