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quarta-feira, 29 de junho de 2022

Da Eco 92 à Pandemia de Covid-19: entre a economia e a natureza.

Mesmo cursando engenharia, e tendo feito iniciação científica em engenharia e meio ambiente, e tendo definido meu caminho profissional pela área ambiental, o que me levaria a organizar uma excursão da minha universidade á conferência das Nações Unidas, a Eco-92, no Rio de Janeiro, eu intuía que o desenvolvimento sustentável não surgiria apenas de uma mudança tecnológica, que veio a galope nas próximas duas décadas tornando o mundo menor e interconectavel com a internet e a revolução microeletrônica. Seria necessário mais do que isso. Todos os participantes do mundo circulando pelo Rio com seus turbantes e roupas coloridas pareciam mirar o espaço vazio buscando o cerne do problema ambiental. 

Eu fui buscar respostas no departamento de economia. Me matriculei nas disciplinas de economia ambiental e desenvolvimento econômico, pois já tinha feito antes introdução a economia. Fiquei ali 1 ano buscando entender que mudanças na forma de organizar a produção e a circulação da moeda nos levaria a sustentabilidade. Os pensadores do desenvolvimento de um lado buscavam entender os processos de produção e os da economia neoclássica pensavam em formas de desestimular monetariamente as atividades destruidoras do meio ambiente e estimular as atividades sustentáveis. Enquanto, isso, lá fora no mundo, países que adotavam um dos dois modelos seguiam destruindo o meio ambiente, no curto prazo, numa estranha competição. 

Sim, algo unificava as duas escolas: a busca do bem estar de suas populações de preferência no curto prazo, onde as atividades econômicas poderiam ser aferidas pelo valor das utilidades produzidas e as horas de trabalho empregadas. Ambas as escolas econômicas seguiam os preceitos de David Ricardo, economista inglês do final do século XIX, que defendia que o valor das coisas está na sua capacidade de circulação, e no esforço humano para produzi-las. O meio ambiente era muito complexo para entrar na equação econômica. A minha pergunta, e de tantos outros era: como fazer o meio ambiente pode ser central na reflexão econômica uma vez que ele é a base material de todos os sistemas econômicos? Hoje, eu me pergunto como os sistemas econômicos podem retornar a considerar a rede ecossistêmica da natureza onde estão assentados.

Quanto mais complexo mas difícil de entrar nas formulas econômicas que emulavam sistemas físico. Erik Reinert, economista norueguês, mostra que o primeiro livro escrito por Adam Smith foi sobre astronomia, e isso explicaria a metáfora da mão invisível da força gravitacional que mantem os planetas das em orbitas estáveis, e a mão invisível do mercado que garante um equilíbrio de demandas e ofertas de produtos e serviços bem como seus valores de troca. Dos acordos da Eco 92 o de mais difícil implementação tem sido o da biodiversidade, talvez pela complexidade envolvida por cada ecossistema do planeta. E foi justamente a diminuição da biodiversidade em todo o mundo que tem fornecido o combustível para novos patógenos e doenças. O mapa que mostra o avanço da cidade de Yuhan na China em direção a área de cavernas com morcegos pode ser o primeiro capítulo da pandemia da Covid-19, que atingiu alguns países no final de 2019, e escalou para o mundo a partir de 2020.

Para articular diferentes acordos sobre a natureza no contexto de um sistema econômico atual que se guia por metodologias de valoração, que excluem a qualidade e quantidade dos recursos naturais, que lhe dão a base material, precisaríamos de uma métrica que articulasse de modo transdisciplinar economia e natureza. Essa métrica é a agua que é absorvida e transformada nas bacias hidrográficas, e que faz parte de todos os processos econômicos, sociais e ambientais. Contudo, a decisão inicial foi a contabilização do carbono equivalente, emitido ou absorvido pelos usos do solo e ecossistemas, como moeda do desenvolvimento sustentável. 

Ao completarmos 30 anos da Eco 92 é preciso um avaliação do uso das emissões de carbono nos acordos ambientais globais.

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