Quando muitos de nós se perguntam se ainda estamos vivendo no capitalismo, o ex-ministro da Grécia, Yanis Varoufakis consegue um feito importante em seu novo livro: amarrar uma série de conceitos que viam circulando a respeito do que esta acontecendo com o capitalismo, e fazer uma amalgama interesante e reveladora.
Nos últimos anos, eu tenho ouvido de amigos e pensadores termos como "Capitalismo Cognitivo", "Capitalismo Digital", "Capitalismo da Nuvem", e " Capitalismo Delivery" e outros termos parecidos. Estamos vivendo algo diferente, que até para aqueles que constroem cenários de futuro dos países líderes, como EUA e China, fica dificíl desenhar os contornos futuros deste novo sistema.
Não nos darmos conta das implicações, multiplicações, e da velocidade das mudanças a frente de nós. É ai que entra o conceito cunhado pelo Yanis. Para quem não viu ainda o vídeo de lançamento de seu novo livro "TechnoFeudalism", abaixo vai o link:
https://www.youtube.com/watch?v=Fhgm5b8BR0k
A construção do conceito de "Feudalismo Tecnológico" surge da tentativa de Yanis de construir um cenário de futuro não pensado ainda, a partir de uma pergunta geradora: Como iremos transformar esse "Capitalismo de Nuvem" em um "Commons de Colaboração Humanista (CCH)"?
No Capitalismo de Nuvem, as categorias de servo, vassálo e senhor presentes no feudalismo da baixa idade média se atualizam, e estabelecem um interessante paralelismo com o que estamos vivendo. A grande maioria de nós, seriam hoje servos, treinando e sendo treinados pelos algoritmos, e sem remuneração. Vassálos são os capitalistas de ontem, que continuam a atuar no mundo físico (industriais, comércio, agricultura, etc) e transferem seus lucros para os senhores das grandes plataformas de comercialização e entreterimento da internet, como a Amazon e o Google.
O CCH mal surgiu como uma possibilidade, alguns diriam utópica, e seus contornos começam a ser desenhados, pois temos uma tarefa inadiável: reverter a crise climática e ambiental do planeta Terra criada pelo capitalismo neoliberal e aprofundada pelo capitalismo de nuvem. A gestação de um renascimento ecológico necessitaria de um CCH para organizar um decrescimento das atividades, que diminuem e aprofundam a crise climática e ambiental, e estimulam o crescimento de atividades, que aumentam a resiliência e a biodiversidade dos ecossistemas.
O conceito de Renascimento Ecológico foi popularizado pelo autor e ativista social Jeremy Rifkin, que escreveu o livro "The Green New Deal: Why the Fossil Fuel Civilization Will Collapse by 2028, and the Bold Economic Plan to Save Life on Earth" (2019). Este conceito foi abraçado pela congressista norte-americana Alexandra Ocasio Cortez, que foi muito criticada pela ideia do New Green Deal.
De toda forma o conceito não saiu da caixinha, e fica apenas na seara ecológica, não atraindo a atenção dos tomadores de decisão. Talvez, Jeremy Rifkin não tenha divulgado com clareza uma sintese do atual capitalismo, e qual o seu modo de explorar recursos naturais e pessoas.
Mas o que é fundamental e precisa passar por um renascimento? Os valores da harmonia com a natureza cultivados pelos povos tradicionais, e indigenas de todo o mundo. Este valores seriam o guia de um processo planetário de inovações sustentáveis necessárias para diminuir 80% das emissões de carbono até 2050.
Mas para isso, é preciso entender as ferramentas disponíveis de um futuro CCH, e como podem ser utilizadas para o Renascimento Ecológico. Teriamos que construir um novo sistema financeiro desacelerando ações ligadas a negócios, que diminuem a resiliência da biosfera, e acelerando atividades sustentáveis, na agricultura, comércio, indústria, e nas atividades do capitalismo de nuvem.
Plataformas públicas de comercialização e compartilhamento de produtos e serviços, que reduzem suas emissões de carbono e protegem o meio ambiente, seriam organizadas por blocos econômicos, ou por ecossistemas. Conta Nacionais Ambientais (CNA) seriam organizadas, com indicadores de sustentabilidade setoriais para pontuar produtos e serviços ofertados no mercado nacional e mundial. Em cada bloco econômico, plataformas de compras públicas sustentáveis seriam organizadas para que o cada estado nacional seja o maior comprador e estimulador da conversão a uma produção sustentável.
Este esforços coordenados em todo mundo ajudaria a diminuir drasticamente as emissões de carbono, que circula pela atmosfera comum a todos. Segundo o matemático e pensador Nassim Taleb, se 25% de todos os processos de produção forem inovados conseguiremos reduzir estes 80% das emissões de carbono, e se estas inovações estiverem em rede poderemos acelerar o processo exponencialmente, e cumprir a meta do Acordo de Paris de evitar os 1,5 graus celsius de aumento da temperatura média global até 2050. No ínicio do ano de 2024, a media da temperatura global já é 1,56 graus celsius.
Estamos atrasados mas estamos partido do zero. Pessoas como Rachel Carson e Chico Mendes foram gigantes, onde podemos nos apoiar nessa incrível jornada de criação de um Renascimento Ecológico no planeta terra.
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