Desde a década de 70, elaboramos conceitos que buscam construir uma convivência harmônica entre crescimento econômico e equilíbrio socioambiental. Já próximo da terceira década no novo milênio, ou seja, mais de 50 anos depois nos debatemos com estes já velhos conceitos como ecodesenvolvimento, sustentabilidade e resiliência, e os novos como adaptação climática, sem que tenhamos visto uma mudança de direção na conciliação entre economia e natureza.
Criamos pegadas ecológicas e de recursos naturais, elaboramos ciclos de vida e sistemas de contabilidade ambiental, bem como contas nacionais de serviços ecossistêmicos e logramos resultados louváveis, que contribuem para que as mudanças climáticas não sejam mais dramáticos do que as que já estamos enfrentando neste verão no hemisfério sul. Mas, infelizmente não alteramos os vetores do crescimento econômico e da degradação ambiental. Janeiro de 2024 foi o janeiro mais quente da história da humanidade.
Do fetiche da mercadoria ao culto das bolsas de valores, não logramos incorporar a economia nos ecossistemas e vice-versa. A criação de hot-spots de biodiversidade é muito importante e temporariamente salva pedaços significativos da superfície e da memória planetária, e nos ajuda a manter a homeostase da vida no planeta Terra. Mas necessitamos de uma mudança cultural profunda, não apenas tecnocrática e econômica.
Vivemos uma crise, que antes de ser climática e ambiental, é de percepção de nos mesmos como organismos e seres culturais, que se transformam e dependem da biosfera. Essa mudança cultural não pode ser equivalente a novas modas de consumo sustentável, que acabam sendo incorporadas como novos fatores de crescimentos econômicos. São necessários esforços integrados, em todos os níveis, para conquistar corações e mentes em direção a mudanças de percepção na nossa maneira de vermos a nós mesmos. nosso planeta e nosso futuro comum.
Temos a tecnologia da informação, e um conjunto de novas teorias econômicas, sociais e filosóficas necessárias para darmos o salto para um renascimento ecológico onde cada ato social ou econômico que degrade nosso patrimônio comum seja compensado, e ultrapassado, por atividades que regenerem o planeta como clama o filósofo Edgar Morin.
Vamos decrescer tudo que degrada nossa percepção e ação em busca da renascença ecossistêmica, e crescer todas as atividades, e atos culturais que valorizam nossos commons, palavra antiga do inglês para desiginar aqui que é comum a todos. Precisam reaprender valores culturais com aqueles que convivem consigo mesmos e com a natureza: os povos indigenas e tradicionais. A ciência e tecnologia disponíveis a serviços destes valores nos colocará numa era de renascimento ecológico, ou seja, no antropoceno a serviço da regeneração dos ecossistemas do planeta Terra.
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