Parte dos esforços no enfrentamento de uma crise hídrica, como a que ocorre no Rio Grande do Sul, são utilizadas para afastar responsabilidades legais, e salvar reputações políticas . Bruno Latour, filósofo francês, que se dedicou a explicar os impactos sociais e culturais do novo normal climático, mostrou que a matrix digital, na qual vivemos, não é uma novidade, e começou muito antes, através economização de todas as necessidades e interesses humanos. A natureza inclusive precisa ser valorada para ser valorizada, nem que seja pelo valor de face: seu capacidade de abssorver excessos de pluviosidade.
Os dados de cobertural vegetal do estado, de 1985 a 2020, mostram não apenas a perda da cobertura, e sua pulverização, deixando topos de morro, e margens de rios desmatados ou ocupados. Contudo dados da natureza podem ser contrapostos com dados econômicos. A prefeitura de Porto Alegre se olhasse a situação pelo lado das incertezas teria reformado as comportas e barragens, que protegem a cidade de Porto Alegre, mas os atores politicos no poder estadual apostaram no otimismo econômico e ambiental. Neste momento, quando chegam as imagens chocantes de destruição das estruturas civis em diversas cidades, e da inundação na capital Porto Algre estas elites estaduais, e seus representantes, já tem ensaidas todas as falas de que "a grande culpada é a mudança climática" este gigante da maldade.
É como se as mortes de uma pandemia fossem resultado apenas do maligno virus e suas capacidades de destruição das defesas imunológicas, e não a somatória destas com as capacidades de preparação, prevenção e resiliência das populações. Mas a pandemia, que ainda não acabou, não está mais na ordem do dia, e temos que seguir vivendo da escassez de informação.
Os 480 artigos alterados do Código Ambinetal do estado no ano de 2019 sob a batuta do atual governador não trouxeram nem uma gota a mais de sofrimento às famílias desabrigadas, e a economia combalida. Grupos de especisliats preparam relatórios a la carte. Verbas públicas serão enviadas ao estado, que tinha outras pautas para cuidar, e descuidou dessa pauta ambiental. Todo mundo erra, apesar de milhões de pessoas viverem nessa pauta, que pode ser chamada de rincão, território, microbacia, bacias hidrográficas. Mas pode ser que o governador tenha se expressado mal, e precise da compreenção de todos, em especial dos desabrigados. E pode ser que Bruno Latour, que não está mais entre nós, esteja certo ao dizer que precisamos voltar para a terra.
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