Nosso personagerm de ficção sai do metro em São Paulo, e caminha, meio que impulsionado pela multidão. A chuva será negra? As queimadas atingiram o sitio de meu tio em Ribeirão Preto? O ambiente antes controlado e domesticado do mundo urbano é invadido por notícias e fumaças de oscilações climáticas, naturais ou aumentadas pela emissões de carbono das atividades humanas, antes despercebidas ou diluídas no tempo.
Nosso personagem carrega uma maleta com instrumentos de medição da saúde. Vive disso a mais de 10 anos: enfermeiro de computadores. O caso atual é no mainframe (computador geral) de um banco na avenida Paulista. Rumores de lavagem do dinheiro sujo chegam a sujar a reputação de alguns bancos? "Eu só faço o meu trabalho não me importo com os dados, de onde vem". "Sou pago para fazer com que o fluxo continue". "Depois eu volto para minha casa" em algum lugar onde o trem o deixa sem hora marcada.
Nestes dias que correm ligeiro, é grande a demanda de seus serviços. Hackers estão em todos os cantos, escondidos em todas as redes sociais. É preciso proteger os sistemas de informação dos sistemas de informação dos inimigos. Nosso personagem não sabe com certeza quem é amigo ou inimigo. "Este final de semana tem jogo do Corintias". Ele respira um pouco aliviado apesar da tosse com esse ar cheio de partículas vindas das queimadas ao redor da cidade, mesmo que seu time do coração não vá lá bem das pernas. Será que tantos incêndios florestais não são propositais? Ele meneia a cabeça e aperta o passo de volta ao metro. Ele tambem ajuda os vizinhos e seus filhos, nem sempre cobra quando a coisa é rápida. Na associação de moradores, ele colocou a internet. Aumentou a presença dos moradores nas reuniões e atividades da associação.
Ele notou que a internet melhorou as coisas de um jeito não muito claro. Há mais universitários é verdade mesmo que desempregados, ou no Uber. Ha mais cor nas faces, mais leitura nos olhos. Há uma mudança de sensibilidade, seja lá como for apesar da tristeza. É tudo ainda imperceptível mas há uma mudança de consciência. É como se a rede social física dos vizinhos, os membros da associação e comerciantes locais fosse ativada pelo fluxo de dados das nuvens.
Outro dia, nosso personagem ouviu um jovem explicando para o outro o papel de Dostoiewisk para a luta de libertação de um povo que ele esqueceu qual era o nome. A música do rap ganha mais adeptos dentro e fora da favela. A juventude ao redor da casa dele parece mais consciente com mais oportunidades por dentro do que por fora, ainda que as redes sociais nas nuvens da blogosfera proliferem fórmulas de se tornar um milionário, fofocas, conflitos entre influencers, e novos ídolos com os pés de barro.
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