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segunda-feira, 9 de maio de 2022

2020: o ano que não terminou

Enquanto a cabeleireira esticava uma mecha de fios (eu contei mais de 20 centímetros de cabelo), para corta-la rente aos seus dedos, um ano se passara, ainda que a pandemia continue matando. O tempo deste ano poderia ser contado da raiz a ponta capilar. Ainda restou um pouco de alegria para comemorar o ano novo de 2021? O tempo fez em mim cabelos brancos de medo, apreensão, dúvida e esperança. Fiquei mais grisalho e consciente dos estratagemas, cenários e narrativas, e atento aos discursos dissonantes, mentiras elaboradas, e autoenganos. A crueldade e vileza conviveu com a extrema coragem e o altruísmo. Um ano de extremos humanos fez aniversário neste janeiro, que não nasceu ainda. O povo brasileiro lutou para não sucumbir porque era luta conhecida de um cotidiano à beira do caos: 200 mil mortes e contando! Nem precisa ser sociólogo para saber onde o coronavirus ceifou mais vidas. Os cabelos em cachos vão caindo sobre o manto branco da barbearia de mascara. Caem os meses e os dias sobre a memória, e caem as ilusões, sonhos e madrugadas. A maior conquista do ano, que não terminou ainda e segue ao longo da década é entender que “crise”, em chinês, não significa oportunidade, mas coragem de ver claro a realidade.

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