Era uma vez...
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2024
domingo, 22 de dezembro de 2024
IA mas pode me chamar de DA
Vou ficar aqui sentado, ouvindo Bill Evans e Chet Baker, enquanto as notícias sobre erros da IA se multiplicam em diversos lugares do mundo, em diferentes áreas, como medicina e bolsa de valores. De solução futurista para tudo, a inteligência artificial (IA) — um nome mal colocado — mostra seu lado deletério. A inteligência é uma capacidade humana complexa e analógica, não computável, capaz de identificar nuances, contradições e incertezas em situações reais, sem que essas informações necessariamente estejam armazenadas na memória. Está ligada ao futuro e à construção de cenários de decisão. Afinal, o que é a IA?
Decisões Artificiais (DAs), baseadas em algoritmos, foram equivocadamente batizadas de Inteligência Artificial. As DAs são sistemas computacionais e informacionais que se abastecem de séries históricas de eventos padronizáveis para serem utilizados em tomadas de decisão. Elas fazem apostas estatísticas para prever o próximo movimento baseado no passado, tentando adaptá-lo ao futuro. Em matemática, dizemos que uma tendência em um conjunto de dados segue a tangente à curva que melhor representa o comportamento desses dados. Infelizmente, ou felizmente, a realidade é muito mais complexa do que curvas lineares de dados.
O truque está na velocidade sobre-humana com que uma solução simples é encontrada para um problema complexo — mas que frequentemente está errada. Como "tempo é dinheiro" na economia neoclássica, não se pode perder tempo até que uma avaliação mais criteriosa seja feita. Assim, a velocidade se torna a prova dos nove: o leopardo é melhor que o leão porque é mais rápido.
Dessa forma, a IA deve ser renomeada como DA, pois se baseia em imensas simplificações para resolver problemas complexos, que frequentemente não são triviais nem padronizáveis. Os erros, como os observados no ChatGPT, que utiliza seus usuários para treinamento, podem parecer hilários e jocosos inicialmente, mas, com o tempo, podem se tornar graves, especialmente quando aplicados a questões como a crise ambiental.
É fascinante observar como uma solução errada, oferecida em milésimos de segundo, pode ser chamada de "inteligente". Enquanto isso, no mundo real, os problemas humanos e planetários se amplificam. Quando usamos DAs para enfrentar os problemas reais da sociedade, há o risco de agravarmos as crises. Frente aos erros das DAs, os humanos que as criaram podem argumentar que estamos apenas aperfeiçoando essas ferramentas, ou, em termos schumpeterianos, engajados em um processo de "destruição criativa".
Ainda não percebemos que fazemos parte de um grande experimento global. Quando as sementes transgênicas foram lançadas no mercado, sem benefícios claros para os consumidores, algumas vozes denunciaram que aquilo era um laboratório a céu aberto, conduzido sem o consentimento das pessoas. Com as DAs, treinamos as ferramentas através de decisões que impactam a vida das pessoas, muitas vezes sem que elas saibam. Isso é ainda mais sério do que o caso do hackeamento de dados eleitorais norte-americanos pela Cambridge Analytica durante a eleição de Donald Trump.
Problemas complexos não têm soluções simples, especialmente os problemas ambientais. Participei de dois cursos oferecidos por uma agência de cooperação europeia sobre a aplicação de uma ferramenta de DA, a análise multiagentes, a um problema ambiental: o desmatamento. Durante um dos cursos, solicitei ao engenheiro europeu que mostrasse as linhas de programação do módulo de percepção humana do algoritmo usado para modelar decisões dos agentes envolvidos no desmatamento de uma região da Amazônia.
O módulo continha apenas três linhas de código. Tendo trabalhado com percepção ambiental no meu mestrado, sabia que, desde Aristóteles até Carl Jung, a percepção humana é considerada um dos maiores desafios na compreensão da psique e dos processos de decisão. Mas no algoritmo em questão, três linhas de código eram consideradas suficientes. Só que não: eu havia visitado a área em estudo, e o desmatamento previsto para dois anos no futuro já estava acontecendo.
O que precisamos compreender é que há outro tipo de inteligência humana por trás das DAs, coordenando o trabalho dos que constroem e treinam os algoritmos: a inteligência híbrida (IH). Exercida por algumas poucas empresas globais, a IH captura dados e informações em massa para criar módulos de resolução de problemas, muitas vezes sem o consentimento explícito dos usuários. Cria-se um ambiente que reforça os poderes "sobre-humanos" das DAs, atraindo milhões de pessoas em busca de soluções rápidas e baratas para seus problemas.
Mas, afinal, que magnetismo é esse que as DAs exercem sobre os humanos? Essa é a segunda geração das DAs. A primeira foi o "surfar na rede", a "navegação grátis", que gerou enormes bancos de dados sobre comportamentos dos consumidores e seus conteúdos, vendidos para empresas. A segunda geração vai mais fundo: armazena processos de decisão e vende informações sensíveis sobre padrões sociais para governos e blocos econômicos. Como as pessoas decidem? Quais padrões estão por trás das perguntas que fazem? Tudo isso é fruto de inteligências humanas, que não são remuneradas por esse uso.
David Ricardo, economista do século XIX, se reviraria no túmulo ao saber disso. Para ele, o valor de um produto depende dos insumos usados em sua produção. Já as DAs perpetuam o passado ao tentar projetá-lo como se fosse o futuro, criando uma "santificação científica" que alimenta falsos profetas.
O que as DAs podem fazer de útil para resolver problemas humanos? Primeiro, é preciso evitar seu uso para prever eventos futuros não lineares e complexos. Segundo, identificar onde as DAs podem trazer riscos à sociedade. Com controle social, podem organizar dados padronizados de utilidade pública, como medicina virtual, tráfego, tarefas domésticas e controle de acidentes, liberando os humanos para atividades criativas.
É essencial, porém, regulamentar o uso das DAs. Profissionais das universidades, que estudam a inteligência humana em suas várias expressões, podem ajudar a criar um aparato normativo que fortaleça a justiça social, a democracia e a liberdade de expressão.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2024
Capoeira: Cultura de Corpo
Seria possível uma cultura fora do corpo, ou dos corpos? Algo externo, que, através da linguagem, produziria conteúdos automatizados, os quais influenciariam corpos e mentes sem ter nada a ver com eles? Mesmo em mecanismos de decisão artificial, baseados em algoritmos (DA), erroneamente chamados de inteligência artificial (IA), a presença humana, antes, durante e depois, assegura defini-los como máquinas robóticas de geração e transmissão de informações sob orientação humana.
O desenvolvimento da cultura, por simetria, repete os sistemas complexos ancestrais, marcados por retroalimentação, criação de padrões emergentes, seleção ambiental e evolução, só que numa velocidade de tempo muito maior e direcionada à cultura. A evolução cultural se dobra e passa a atuar como seleção socioambiental, onde se combinam a seleção natural e a cultural, ao lado de aspectos importantes da reprodução sexual, que aumentam o grau de variabilidade, no caso dos seres humanos.
A gênese da cultura da capoeira se plasma a partir do imenso fluxo migratório forçado pela indústria da escravidão no século XVI, no qual entre 4 a 5 milhões de pessoas cruzaram o oceano Atlântico. Nas terras brasileiras, vão encontrar, além dos colonizadores portugueses, em menor número, um imenso contingente de populações nativas locais. Durante quatro séculos de imensa troca gênica e cultural, vai sendo gestada a arte da Capoeira, uma mistura de jogo, dança, luta e ritual, uma amalgama entre a história cronológica e a impressa nos corpos do povo novo, os brasileiros.
Na Capoeira, é possível ver nos saltos, negaças, fintas, defesas e golpes, ao som de variados instrumentos musicais, os produtos da evolução cultural a partir da evolução biológica, de tal modo abraçados, que podemos dizer que a Capoeira modifica o cérebro e o corpo, como acreditam neurocientistas como Sidarta Ribeiro (que é também capoeirista), e o cérebro modificado transforma a capoeira, que modifica novamente o corpo em um jogo que envolve plasticidade cerebral, condicionamento corporal e criatividade cultural de tal forma entrelaçadas, que é correto dizer que a Capoeira é uma cultura de corpo.
terça-feira, 22 de outubro de 2024
sexta-feira, 18 de outubro de 2024
Economia Verde e Cidades Esponjas
O movimento de cidades amigas das águas, ou simplesmente cidades esponjas, tem em Seul, capital da Coreia do Sul, um marco importante. Ao desenterrar o rio Cheonggyecheon em 1999, em uma das principais avenidas da cidade, Seul colhe frutos já em 2003 com mais de 400 hectares de áreas verdes, um canal de 80 metros de largura em uma extensão de 8 km, que se transformou em uma área de lazer, e a redução de 3,6 graus Celsius na temperatura média em relação ao resto da cidade.
Do mesmo modo, outras cidades que tiveram rápida expansão do tecido urbano hoje repensam como melhorar os índices de qualidade de vida e saúde ambiental dessas áreas metropolitanas. São Paulo possui diversos rios emparedados em córregos delimitados por estruturas de concreto ou mesmo enterrados. Mas essa rede hídrica, nas estações chuvosas, faz-se presente novamente nas enchentes, alagamentos e entupimentos de redes de esgoto e pluviais.
Ailton Krenak, pensador indígena brasileiro, mostra que os rios são muito importantes nas aglomerações populacionais dos povos tradicionais. As vilas e aldeias surgem perto dos rios e ali estabelecem seu metabolismo social e ecológico. As cidades forjadas pela cultura ocidental buscam estabelecer uma relação de hierarquia onde o rio e a natureza têm um sentido utilitário.
Mas quem está liderando este jogo do conceito de cidade esponja é a China, um dos países com mais graves problemas de gestão hídrica urbana [1]. O padrão acelerado de desenvolvimento das cidades chinesas se inicia na década de 1970. Os planos de desenvolvimento regionais chineses consideram os problemas de governança e gestão das águas urbanas de suma importância, dado seu potencial de disrupção. Em 2014, o governo nacional adota a estratégia dos projetos de cidades esponjas, e uma intensa troca e intercâmbio de ideias e tecnologias começa a se desenvolver com países europeus que já implementavam as NBS (soluções baseadas na natureza) e um planejamento adaptativo para sua gestão [2].
Eventos extremos com graves consequências urbanas têm acontecido em importantes cidades chinesas: Pequim (2012), Ningbo (2013), Guangzhou (2015), Wuhan (2016), Shenzhen (2019) e Chongqing (2020). O programa chinês de cidades esponjas se iniciou em 2013 e foi adotado por 30 cidades para desenvolver soluções em segurança contra enchentes, purificação de águas pluviais e armazenamento hídrico para usos futuros [2].
As iniciativas de cidades esponjas se multiplicam, mas há preocupação em como renovar os conceitos de infraestrutura e projeto urbano para acompanhar essas inovações. Além disso, é necessário criar esquemas financeiros e aportes tecnológicos específicos. Uma rede de políticas públicas deve acompanhar o estabelecimento de cidades esponjas, e isso leva tempo [1].
Do lado da tecnologia, a China está se engajando em redes internacionais de pesquisas neste tema, como a parceria hídrica entre a Europa e a China (Chinese European Water Partnership, CEWP) [1]. A criação de inovações na China e através de parcerias internacionais pode mudar a forma como a China enfrenta os problemas da água urbana.
De início, serão necessárias inovações de compartilhamento de dados (crowdsourced data, CSD), em especial o monitoramento participativo, através do uso de celulares, que irá conviver e se relacionar com as formas tradicionais de geração de dados hídricos [1]. Um exemplo é o aplicativo de celulares Crowd Water App (CWApp), da Agência de Águas da Suíça, que é um instrumento de ciência cidadã para facilitar a participação das pessoas na gestão hídrica de suas cidades.
Em segundo lugar, o compartilhamento de dados pode se dar através da tecnologia de internet das coisas (IoT) e contribuir na avaliação em tempo real dos sistemas de drenagem urbana através de mecanismos de monitoramento, por exemplo, instalados em bombas hidráulicas. Contudo, ainda é complicado usar dados hidrológicos de modo tradicional e dados gerados por celulares. São dados que envolvem tipos diferentes de erros metodológicos, e ainda seria necessário desenvolver uma plataforma de assimilação de dados [1]. Estas e outras inovações podem gerar novos produtos e serviços.
Os desafios atuais dizem respeito à incerteza presente no futuro das condições hidroclimáticas ligadas às projeções dos cenários climáticos, e às complicações para a adaptação da infraestrutura urbana dentro de um tempo de vida operacional [2]. Outro desafio é a forma como estas soluções serão financiadas e negociadas com gestões urbanas, do meio ambiente e do clima. O conceito de redes de políticas públicas e de operadores políticos em rede pode ser uma opção para o florescimento das cidades esponjas [3].
Referências:
[1]ZEVENBERGEN, Chris; FU, Dafang; PATHIRANA, Assela. Transitioning to sponge cities: Challenges and opportunities to address urban water problems in China. Water, v. 10, n. 9, p. 1230, 2018.
[2] QI, Yunfei et al. Addressing challenges of urban water management in Chinese sponge cities via nature-based solutions. Water, v. 12, n. 10, p. 2788, 2020.
[3] ABERS, Rebeca Neaera; KECK, Margaret E. Autoridade prática: ação criativa e mudança institucional na política das águas do Brasil. In: Autoridade prática: ação criativa e mudança institucional na política das águas do Brasil. 2017. p. 331-331.
quinta-feira, 3 de outubro de 2024
Plataforma Mundial de Compras Públicas Sustentáveis
Uma Plataforma Mundial de Compras Publicas Sustentáveis (PMCPS) seria regulada pela OMC, e uma de suas caracteristicas seria o fim do imposto a circulação sobre produtos e insumos sustentáveis no mercado internacional para todos os países que possuem sistemas nacionais des compras públicas sustentáveis. Para isso seria criado um sistema de certificação de garantia de sistemas de produção sustentável internacional (CG-SPS) onde os impactos destes sistemas seriam categorizados, por exemplo as emissões de carbono geradas e os projetos locais de mitigação e adaptação.
No Brasil, estima-se que de 15 a 25% do PIB é direcionado a compras públicas (public procurement). Em escala global, o PIB está na ordem dos 100 trilhões de dolares, e se projetarmos as comprars públicas governamentais em 10% estamos falando de um mercado de 10 trilhões de dolares anuais direcionados a produtos sustentáveis. Para participar deste mercado as empresas inovadoras devem ser descarbonizar seus sistemas de produção, e ao mesmo tempo diminuir outros impactos socio-ambientais. A CG-SPS organizaria um fundo internacional para financiar parcialmente essa transição com base em uma taxa anual a ser paga por cada país participante com base em suas emissões de carbono nas cadeias produtivas. Esse fundo absteceria programas de pesquisa e desenvolvimento internacionais administrado pela plataforma CG-SPS.
O projeto piloto nacional de uma plataforma com esse delineamento foi elaborado por uma equipe de professores e pesquisadores do Centro de Desenvolvimento sustentável da Universidade de Brasília a pedido do Ministério do meio Ambiente. Pode-se também evoluir para a criação de uma plataforma de compras privada de produtos sustentáveis, que contribuem para que a temperatura do planeta terra se estabilize em 1.5 graus centigrados de aumento desde a era industrial.
quarta-feira, 2 de outubro de 2024
Sobre OVNIS
Eu não sei se os objetos voadores não indentificáveis existem, mas eu poderia dizer que sempre que a mídia norte-americana ativa esse assunto, inclusive trazendo recentemente a fala de um ex-presidente o Barach Obama para dizer q ue ele não pode dizer nada sobre este assunto sabemos que o governo está nuscando um aumento no orçcamento militar e especial. Geralmente tal fenômeno casado que aparece dos céus dos principais telejornais acontece proximo as elições majoritárias dos EUA. Mas isso ainda é uma hipottese a ser confirmada para estabelecer uma explicação causal mais refinada.
Voltando aos OVINS e utilizando a fórmula socratica de pensamento, partindo do ponto que eles existem, pergunto-me que se estes objetos são pilotados por seres biológicos portadores de vida, eles crewsceram e foram formados em algum sistema planetário. Se nestes sistema tudo esta bem, e seus habitantes felizes e em harmônica com oq ue tem diante da vastidão do universo, enviar custosas maquinas ao espaço para a exploração do mesmo exige muita tecnologia e energia. Se eles chegaram a este prodigio sem destruir e utilizar os recursos de seus sistema planetário, mantendo como foi mencionado a homeostase e a harmonia, podemos dizer que os pilotos vem em missão de paz e pela solidariedade cósmica.
A outra opção, é aquele de que estão em busca de outro sistema planetário dado que para desenvolver a tecnologia e a energia de propulsão de suas naves eles tiveram que exaurir os recursos de seus sistema planetário. Logo, os OVINS são buscadores de novas casa, e neste sentido não vem em missão de paz, e pela harmonia cósmica. Contudo, se assim for não devemos nos preocupar dado o estado deficitário, desarmonioso, e faltante de nosso sistema planetário e suas diversas erosões, e desequilibrios causados, como diz o fdamoso neurocientista brasileiro, Sidhart Ribeiro, por 7,9 bilhões de macacos que são movidos pela busca do dinheiro, segurança e amor.
sexta-feira, 20 de setembro de 2024
Quando o curto prazo da Economia encontra o da Natureza
Quando o curtíssimo prazo se torna o curto-prazismo dos países de capitalismo dependente, a economia baseada em commodities é a primeira que sofre com a intensificação das flutuações climáticas. Naturais ou impulsionadas pelas emissões de carbono das atividades humanas, sabe-se que pequenas alterações em sistemas complexos costumam sofrer processos de retroalimentação. A oscilação climática pequena pode gerar consideráveis alterações nos microclimas. Quando este processo encontra territórios de baixa resiliência, o curto prazo da economia encontra geralmente o disruptivo curto prazo do meio ambiente. Geralmente, quem sai perdendo são as estruturas humanas.
Do ponto de vista energético, seja por processo natural surgido do encontro de ciclos planetários que se retroalimentam, seja pelo acréscimo de carbono e calor gerado pelos sistemas de produção humana, o excesso de energia na atmosfera vai buscar um novo caminho de equilíbrio. Os oceanos geralmente são o repositório onde esse excesso vai encontrar seu meio de dissolução, contudo, com a alteração de porções pequenas destes oceanos receptores. Estas pequenas alterações alteram regimes de ventos e ondas. Mesmo pequenas, vão afetar o microclima dos litorais nos continentes.
Processos humanos e naturais com comportamento linear sofrem grandes disturbios com pequenas alterações não lineares no clima através de dois mecanismos: os ciclos de retroalimentação, e a geração de novos padrões emergentes.
terça-feira, 17 de setembro de 2024
Tem algo novo no futuro
Nosso personagerm de ficção sai do metro em São Paulo, e caminha, meio que impulsionado pela multidão. A chuva será negra? As queimadas atingiram o sitio de meu tio em Ribeirão Preto? O ambiente antes controlado e domesticado do mundo urbano é invadido por notícias e fumaças de oscilações climáticas, naturais ou aumentadas pela emissões de carbono das atividades humanas, antes despercebidas ou diluídas no tempo.
Nosso personagem carrega uma maleta com instrumentos de medição da saúde. Vive disso a mais de 10 anos: enfermeiro de computadores. O caso atual é no mainframe (computador geral) de um banco na avenida Paulista. Rumores de lavagem do dinheiro sujo chegam a sujar a reputação de alguns bancos? "Eu só faço o meu trabalho não me importo com os dados, de onde vem". "Sou pago para fazer com que o fluxo continue". "Depois eu volto para minha casa" em algum lugar onde o trem o deixa sem hora marcada.
Nestes dias que correm ligeiro, é grande a demanda de seus serviços. Hackers estão em todos os cantos, escondidos em todas as redes sociais. É preciso proteger os sistemas de informação dos sistemas de informação dos inimigos. Nosso personagem não sabe com certeza quem é amigo ou inimigo. "Este final de semana tem jogo do Corintias". Ele respira um pouco aliviado apesar da tosse com esse ar cheio de partículas vindas das queimadas ao redor da cidade, mesmo que seu time do coração não vá lá bem das pernas. Será que tantos incêndios florestais não são propositais? Ele meneia a cabeça e aperta o passo de volta ao metro. Ele tambem ajuda os vizinhos e seus filhos, nem sempre cobra quando a coisa é rápida. Na associação de moradores, ele colocou a internet. Aumentou a presença dos moradores nas reuniões e atividades da associação.
Ele notou que a internet melhorou as coisas de um jeito não muito claro. Há mais universitários é verdade mesmo que desempregados, ou no Uber. Ha mais cor nas faces, mais leitura nos olhos. Há uma mudança de sensibilidade, seja lá como for apesar da tristeza. É tudo ainda imperceptível mas há uma mudança de consciência. É como se a rede social física dos vizinhos, os membros da associação e comerciantes locais fosse ativada pelo fluxo de dados das nuvens.
Outro dia, nosso personagem ouviu um jovem explicando para o outro o papel de Dostoiewisk para a luta de libertação de um povo que ele esqueceu qual era o nome. A música do rap ganha mais adeptos dentro e fora da favela. A juventude ao redor da casa dele parece mais consciente com mais oportunidades por dentro do que por fora, ainda que as redes sociais nas nuvens da blogosfera proliferem fórmulas de se tornar um milionário, fofocas, conflitos entre influencers, e novos ídolos com os pés de barro.
sexta-feira, 9 de agosto de 2024
Inovação por amor à Terra (para Bruno Latour)
O crime esta, nos diz com imensa potência Bruno Latour (no último capítulo de seu último livro "After Lockdown") em negar os limites, e contorná-los com narrativas falsamente otimistas, de que tudo está sob controle, quando temos vivido, nós e todas as espécies do planeta Terra, envoltos em uma rede de incertezas, que nos permite ser ontologicamente criativos.
Os seres vivos da terra sempre foram criativos em relação as condições, que chegam até eles. Maquear o limite é matar a inovação. Buckminster Fuller, filósofo e arquiteto norte-americano, em seu livro seminal de 1969, "Manual de Navageação da Espaçonave Terra", nos chama a participar deste processo de conhecer o planeta Terra, e nos dedicarmos à descoberta de pontos de alavancagem onde emergem novos padrões que podem impulsionar as mudanças. Fomos feitos para sobreviver, e criar a partir das incertezas.
Latour nos pede humanamente que, ao sairmos dos lockdowns, reais e metafísicos, usemos todas as nossas habilidades e capacidades, para conspirar e criar uma nova vida diante das condições e limites reais colocados pelo novo regime climático.
Inovação por amor á Terra.
quinta-feira, 25 de julho de 2024
Clima Extremo
Não resta dúvida que a temperatura média do planeta terra está subindo. O IPCC calcula em 1,4 graus Celsius em 2024. Este julho foi o julho mais quente desde o séc. XIX. UM pesquisador australiano aposta em 1,7 graus Celsius baseado no estaudo de esponjas do mar. O que aconteceu em Acapulco, e no estado do Rio Grande do Sul vai mostrando que a escala das tragédias, vinculadas a mudança climática e a mudanças dos usos do solo, que diminui a resiliência dos territórios, aumkentam as escalas de impacto, e custo de recuperaçãobem como do tempo de recuperação.
Eventos extremos tenderam a gerar aumento de pobreza e deslocamento de populações, sem solução para o mesmo ano fiscal ainda que os estados nacionais prometem rápida recuperação das infra-estruturas. Eu poderia chamar este Cenário de "Clima Extremo". Este cenário tem se repetido em todo o mundo em uma frequência anual ou bianual, as vezes como no caso do Rio Grande do Sul em um espaço de meses.
Quanto menos resiliente o território em seus serviços ambientais maior o risco de uma tragédia climática. Extrapolando estas ocorrências, em especial para os países que baseiam sua economia em commodities, com grande passivo ambinetal e redução da resiliência, podemos projetar um aumento crescente e preocupante de imigrantes do clima, e necessidade de ação reparadora dos estados nacionais gerando o endividamento público, alem da categoria investimento, e aumento da inflação. A disrupção das economias estaduais vai desequilibrar o equilibrio de poder nos estados nacionais.
As politicas de adaptação e reconstrução serão cada vez mais onerosas. A tendencia é o aumento da população das metropoles e esvaziamento das regiões afetadas, com efeitos deletérios deste aumento: desemprego estrutural, violência, perda de raízes culturais, empobrecimento da vida social. O grau de desepero gerará a criação de medidas de emergência na área da segurança pública e na saúde pública.
Neste cenário cada ves mais plausível é preciso instutir o setor econômico da adaptação ambiental e reconstrução como um setor necessário, e que deve ser garantido pelo estado. Embora comefeito retardado, as inovações para descarbonizar as cadeias de produção devem ser estimuladas e vão gerar novos empregos.
A transição entre hidrocarbonetos e modos alternativos de geração de energia será lenta logo caminhamos para 2 graus Celsius de aumento para antes de 2050, o que torna o cenário "Clima Extremo" em um cenário do tipo business as usual. As Áreas do planeta com maior acÚmulo de excedente de capital vão pagar pela adaptação climática e ambiental. Os que nao puderem pagar terão suas econômias reduzidas, e se tornaram regiões exportadoras de imigrantes indesejados, para regiões que se adaptaram. Aqui, é possivel dizer que entrarem em um território crísico, como dira o filósofo francês, Edgar Morin. A crise climática que é tambem territorial e de resiliência pode desencadear crises hídricas, comerciais, diplomáticas.
"Brace for Impact". "Se segura que la vem impacto" é uma expressão do inglês norte-americano, que diz respeito a algo que esta eminente de se materializar. É possível torcer esta expressão por outra: "Invest for Impact". Isso significa investir de modo inteligente diante do impacto que se aproxima. Pode-se criar investimentos de diversos tipos para uma economia da conservação, inovação, redução de emissões, e adequação ambiental para ocupar o espaço ocioso da economia, mantendo o pleno emprego, e redirecionando a economia para o modo adaptação.
"Invest por Impact".
segunda-feira, 24 de junho de 2024
De Rene Descartes à Baruch de Spinosa
Baruch de Spinosa, flósofo holandes nascido em Amsterdã e filho de portugueses, foi discípulo anônimo e leitor voraz dos livros de Renatus Cartesius, ou simplesmente, Rene Descartes. Ninguem poderia imaginar, que a forma que as pessoas pensam e decidem são caudatórias do embate de idéias entre estes dois filósofos, que nos remetem respectivamente as idéias de dois filósofos gregos, Epicurus e Demócrito. O primeiro fundou sua escola filosófica no quintal de casa e nunca saiu de Atenas. O segundo viajou pelo mundo antigo em busca do conhecimento. A filosofia de Baruch na linha de Epicurus faz parte da escola da imanência enquanto Rene na linha de Demócrito avança pela escola metafísica.
domingo, 2 de junho de 2024
Pessoas de TV
Bacana era aquele, que em suas férias cariocas avistava algum artista de novela. Era como existir em grande estilo: ter conhecido quem era conhecido por uma multitude de desconhecidos. Reclamar de algum conteudo da programação de um canal de TV era quase impossível. Vai ligar na Rede Globo? Em 1932, no livro "Adorável Mundo Novo" o escritor Aldous Huxley exercita uam afiada prospecção do futuro, mas não lembro de ter lido ali um cenário de futuro onde cad apessoa teria seu canal de televisão. Em 2024, uma nova categoria profissional se consolida: o influenciador digital. è como pensar num canal de TV da década de 80 onde uma pessoa define tudo. E perfil de alguma rede social possui milhões de seguidores estamos diante de um canal de TV com recursos e propaganda para montar sua programação. Nada do que aqui escrevo é novidade.
A novidade é que os canais ou perfis digitais reptem os comportamento das emissoras de TV. Críticos não são bem vindo, seguidores sim. Eu lembro que apesar de gostar de programas de TV, uns poucos confesso, não me percia como seguidor da Globo, ou da TV Manchete ou Bandeirante. Indo ao ponto ve-se que no passado e no atua presente as redes de comunicação social querem vender produtos e serviços. Filosoficamente, alguem poderia dizer que o liberalismo cumpriu sdua promessa, pelo menos em parte: se nem todo mundo pode ter suas empresas privada, todo mundo pode ter sua midia digital. Contudo, todas essas miriade d emidias e canais digitais, são controladas por pouquissimo mega canais de difusão: Google, Facebook, Amazon. O nível de concnetração de recursos financeiros e informação nestas quatro plataformas nunca acontecue na história da humanidade.
O proximo passo é dominar o harware da comunicação por satélites orbitais. Tudo parece ser extremamenete democráticomas é extremamente controlado. O campo eletromagnético para a transmissão das informações é um commons da humanidade, para todas as pessoas e não deveria ser pautados apenas pelas pessoas de TV.
terça-feira, 21 de maio de 2024
Quando o "Leite" azeda é ruim para todos
Quando um jovem liderança partidária se resume a sua idade e um par de velhas ideias, todos perdeem. O debate público fica empobrecido, a ação pública fica débil. Nesse contexto, que não acontece apenas nessa situação dramática, na qual um estado brasileiro, é deixado de joelhos diante de uma anomalia climática.
Eduardo Leite mesmo antes deste dilúvio gaúcho, que não pode ser separado da destruição da natureza do estado, derramou ideias antigas de um neoliberalismo de segunda para ser implementado nas populações do sul global. Mas Leite apenas dá voz, como representante político, de uma visão de mundo onde a primeira, a segunda, a terceira prioridade e a quarta atende pelo nome de "mercado".
Havia muitas pautas para dar prioridade ao prioritário, em especial para as populações, que vivem mais proximas da combalida natureza gaúcha. Leite tem sido didático na insesibilidade com a dor dos gauchos. Pode continuar na política defendendo o mercado e seus donos, pode ser presidenciavel, tudo ainda é possível.
Pobre Rio Grande do Sul do saudoso pensador da ecologia política José Lutzemberger, que muito nos ensinou sobre a ecologia do rincão gaúcho e a cultura do povo gaúcho.
segunda-feira, 13 de maio de 2024
Da Crise Hídrica à Tragédia Ambiental: fluxos de narrativas e chuva de dados
Parte dos esforços no enfrentamento de uma crise hídrica, como a que ocorre no Rio Grande do Sul, são utilizadas para afastar responsabilidades legais, e salvar reputações políticas . Bruno Latour, filósofo francês, que se dedicou a explicar os impactos sociais e culturais do novo normal climático, mostrou que a matrix digital, na qual vivemos, não é uma novidade, e começou muito antes, através economização de todas as necessidades e interesses humanos. A natureza inclusive precisa ser valorada para ser valorizada, nem que seja pelo valor de face: seu capacidade de abssorver excessos de pluviosidade.
Os dados de cobertural vegetal do estado, de 1985 a 2020, mostram não apenas a perda da cobertura, e sua pulverização, deixando topos de morro, e margens de rios desmatados ou ocupados. Contudo dados da natureza podem ser contrapostos com dados econômicos. A prefeitura de Porto Alegre se olhasse a situação pelo lado das incertezas teria reformado as comportas e barragens, que protegem a cidade de Porto Alegre, mas os atores politicos no poder estadual apostaram no otimismo econômico e ambiental. Neste momento, quando chegam as imagens chocantes de destruição das estruturas civis em diversas cidades, e da inundação na capital Porto Algre estas elites estaduais, e seus representantes, já tem ensaidas todas as falas de que "a grande culpada é a mudança climática" este gigante da maldade.
É como se as mortes de uma pandemia fossem resultado apenas do maligno virus e suas capacidades de destruição das defesas imunológicas, e não a somatória destas com as capacidades de preparação, prevenção e resiliência das populações. Mas a pandemia, que ainda não acabou, não está mais na ordem do dia, e temos que seguir vivendo da escassez de informação.
Os 480 artigos alterados do Código Ambinetal do estado no ano de 2019 sob a batuta do atual governador não trouxeram nem uma gota a mais de sofrimento às famílias desabrigadas, e a economia combalida. Grupos de especisliats preparam relatórios a la carte. Verbas públicas serão enviadas ao estado, que tinha outras pautas para cuidar, e descuidou dessa pauta ambiental. Todo mundo erra, apesar de milhões de pessoas viverem nessa pauta, que pode ser chamada de rincão, território, microbacia, bacias hidrográficas. Mas pode ser que o governador tenha se expressado mal, e precise da compreenção de todos, em especial dos desabrigados. E pode ser que Bruno Latour, que não está mais entre nós, esteja certo ao dizer que precisamos voltar para a terra.
sábado, 17 de fevereiro de 2024
Renascimento Ecológico
Desde a década de 70, elaboramos conceitos que buscam construir uma convivência harmônica entre crescimento econômico e equilíbrio socioambiental. Já próximo da terceira década no novo milênio, ou seja, mais de 50 anos depois nos debatemos com estes já velhos conceitos como ecodesenvolvimento, sustentabilidade e resiliência, e os novos como adaptação climática, sem que tenhamos visto uma mudança de direção na conciliação entre economia e natureza.
Criamos pegadas ecológicas e de recursos naturais, elaboramos ciclos de vida e sistemas de contabilidade ambiental, bem como contas nacionais de serviços ecossistêmicos e logramos resultados louváveis, que contribuem para que as mudanças climáticas não sejam mais dramáticos do que as que já estamos enfrentando neste verão no hemisfério sul. Mas, infelizmente não alteramos os vetores do crescimento econômico e da degradação ambiental. Janeiro de 2024 foi o janeiro mais quente da história da humanidade.
Do fetiche da mercadoria ao culto das bolsas de valores, não logramos incorporar a economia nos ecossistemas e vice-versa. A criação de hot-spots de biodiversidade é muito importante e temporariamente salva pedaços significativos da superfície e da memória planetária, e nos ajuda a manter a homeostase da vida no planeta Terra. Mas necessitamos de uma mudança cultural profunda, não apenas tecnocrática e econômica.
Vivemos uma crise, que antes de ser climática e ambiental, é de percepção de nos mesmos como organismos e seres culturais, que se transformam e dependem da biosfera. Essa mudança cultural não pode ser equivalente a novas modas de consumo sustentável, que acabam sendo incorporadas como novos fatores de crescimentos econômicos. São necessários esforços integrados, em todos os níveis, para conquistar corações e mentes em direção a mudanças de percepção na nossa maneira de vermos a nós mesmos. nosso planeta e nosso futuro comum.
Temos a tecnologia da informação, e um conjunto de novas teorias econômicas, sociais e filosóficas necessárias para darmos o salto para um renascimento ecológico onde cada ato social ou econômico que degrade nosso patrimônio comum seja compensado, e ultrapassado, por atividades que regenerem o planeta como clama o filósofo Edgar Morin.
Vamos decrescer tudo que degrada nossa percepção e ação em busca da renascença ecossistêmica, e crescer todas as atividades, e atos culturais que valorizam nossos commons, palavra antiga do inglês para desiginar aqui que é comum a todos. Precisam reaprender valores culturais com aqueles que convivem consigo mesmos e com a natureza: os povos indigenas e tradicionais. A ciência e tecnologia disponíveis a serviços destes valores nos colocará numa era de renascimento ecológico, ou seja, no antropoceno a serviço da regeneração dos ecossistemas do planeta Terra.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2024
Renascimento Ecológico e Feudalismo Tecnológico
Quando muitos de nós se perguntam se ainda estamos vivendo no capitalismo, o ex-ministro da Grécia, Yanis Varoufakis consegue um feito importante em seu novo livro: amarrar uma série de conceitos que viam circulando a respeito do que esta acontecendo com o capitalismo, e fazer uma amalgama interesante e reveladora.
Nos últimos anos, eu tenho ouvido de amigos e pensadores termos como "Capitalismo Cognitivo", "Capitalismo Digital", "Capitalismo da Nuvem", e " Capitalismo Delivery" e outros termos parecidos. Estamos vivendo algo diferente, que até para aqueles que constroem cenários de futuro dos países líderes, como EUA e China, fica dificíl desenhar os contornos futuros deste novo sistema.
Não nos darmos conta das implicações, multiplicações, e da velocidade das mudanças a frente de nós. É ai que entra o conceito cunhado pelo Yanis. Para quem não viu ainda o vídeo de lançamento de seu novo livro "TechnoFeudalism", abaixo vai o link:
https://www.youtube.com/watch?v=Fhgm5b8BR0k
A construção do conceito de "Feudalismo Tecnológico" surge da tentativa de Yanis de construir um cenário de futuro não pensado ainda, a partir de uma pergunta geradora: Como iremos transformar esse "Capitalismo de Nuvem" em um "Commons de Colaboração Humanista (CCH)"?
No Capitalismo de Nuvem, as categorias de servo, vassálo e senhor presentes no feudalismo da baixa idade média se atualizam, e estabelecem um interessante paralelismo com o que estamos vivendo. A grande maioria de nós, seriam hoje servos, treinando e sendo treinados pelos algoritmos, e sem remuneração. Vassálos são os capitalistas de ontem, que continuam a atuar no mundo físico (industriais, comércio, agricultura, etc) e transferem seus lucros para os senhores das grandes plataformas de comercialização e entreterimento da internet, como a Amazon e o Google.
O CCH mal surgiu como uma possibilidade, alguns diriam utópica, e seus contornos começam a ser desenhados, pois temos uma tarefa inadiável: reverter a crise climática e ambiental do planeta Terra criada pelo capitalismo neoliberal e aprofundada pelo capitalismo de nuvem. A gestação de um renascimento ecológico necessitaria de um CCH para organizar um decrescimento das atividades, que diminuem e aprofundam a crise climática e ambiental, e estimulam o crescimento de atividades, que aumentam a resiliência e a biodiversidade dos ecossistemas.
O conceito de Renascimento Ecológico foi popularizado pelo autor e ativista social Jeremy Rifkin, que escreveu o livro "The Green New Deal: Why the Fossil Fuel Civilization Will Collapse by 2028, and the Bold Economic Plan to Save Life on Earth" (2019). Este conceito foi abraçado pela congressista norte-americana Alexandra Ocasio Cortez, que foi muito criticada pela ideia do New Green Deal.
De toda forma o conceito não saiu da caixinha, e fica apenas na seara ecológica, não atraindo a atenção dos tomadores de decisão. Talvez, Jeremy Rifkin não tenha divulgado com clareza uma sintese do atual capitalismo, e qual o seu modo de explorar recursos naturais e pessoas.
Mas o que é fundamental e precisa passar por um renascimento? Os valores da harmonia com a natureza cultivados pelos povos tradicionais, e indigenas de todo o mundo. Este valores seriam o guia de um processo planetário de inovações sustentáveis necessárias para diminuir 80% das emissões de carbono até 2050.
Mas para isso, é preciso entender as ferramentas disponíveis de um futuro CCH, e como podem ser utilizadas para o Renascimento Ecológico. Teriamos que construir um novo sistema financeiro desacelerando ações ligadas a negócios, que diminuem a resiliência da biosfera, e acelerando atividades sustentáveis, na agricultura, comércio, indústria, e nas atividades do capitalismo de nuvem.
Plataformas públicas de comercialização e compartilhamento de produtos e serviços, que reduzem suas emissões de carbono e protegem o meio ambiente, seriam organizadas por blocos econômicos, ou por ecossistemas. Conta Nacionais Ambientais (CNA) seriam organizadas, com indicadores de sustentabilidade setoriais para pontuar produtos e serviços ofertados no mercado nacional e mundial. Em cada bloco econômico, plataformas de compras públicas sustentáveis seriam organizadas para que o cada estado nacional seja o maior comprador e estimulador da conversão a uma produção sustentável.
Este esforços coordenados em todo mundo ajudaria a diminuir drasticamente as emissões de carbono, que circula pela atmosfera comum a todos. Segundo o matemático e pensador Nassim Taleb, se 25% de todos os processos de produção forem inovados conseguiremos reduzir estes 80% das emissões de carbono, e se estas inovações estiverem em rede poderemos acelerar o processo exponencialmente, e cumprir a meta do Acordo de Paris de evitar os 1,5 graus celsius de aumento da temperatura média global até 2050. No ínicio do ano de 2024, a media da temperatura global já é 1,56 graus celsius.
Estamos atrasados mas estamos partido do zero. Pessoas como Rachel Carson e Chico Mendes foram gigantes, onde podemos nos apoiar nessa incrível jornada de criação de um Renascimento Ecológico no planeta terra.
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